03 julho 2014

A PROLETARIZAÇÃO DA MEDICINA - Sérgio Roxo da Fonseca - Saúde, Cidadania

A PROLETARIZAÇÃO DA MEDICINA

                        Sérgio Roxo da Fonseca

            A proletarização profissional contrasta com a ideia da liberalização. O vocábulo tem raiz na antiguidade da nossa civilização que, então, correspondia às pessoas que tinham acesso ao direito de ter filhos, ou prole, como queiram, não podendo, reversamente, ter acesso à propriedade de bens.
            Com a primeira Revolução Industrial passou a ter um significado mais preciso, mas não longe do originário. Proletário passou a ser o contrário de empregador.
            No sentido oposto estava e ainda está a ideia segundo a qual o exercício de algumas profissões, peculiares que são, não podem ou não devem sofrer as injunções próprias do contrato de trabalho, tais como a medicina, a advocacia e a engenharia. Passaram a ser reconhecidas pela expressão “profissionais liberais”, cujos atos devem ser apreciados segundo a ética própria do seu titular.
            A medicina, no entanto, tem sofrido profunda alteração no seu exercício. Afirma-se que a transformação é resultado das necessidades de grandes investimentos na técnica do seu exercício, o que impediria a prática solitária ou individual.
            Realmente, a partir da segunda metade do século XX os médicos aos poucos vão se afastando do exercício liberal, sendo absorvidos por empregadores públicos e privados.
            É bem verdade que teoricamente afirma-se que, mesmo assim, o sistema reserva para cada um deles o juízo ético do exercício dos seus atos profissionais. Porém fica muito difícil afirmar que esta liberdade possa se opor aos interesses corporativos de seus empregadores  públicos ou privados.
            Se a constatação é verdadeira, forçoso admitir que o juízo ético da profissão da medicina está em forçada alteração, caminhando-se para o que hoje conhecemos pelo nome de proletarização. Indaga-se se esta preocupação é verdadeira ou falsa? Se verdadeira ou falsa qual é o sentido do exercício dos atos médicos nos nossos dias? E no futuro?


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