22 janeiro 2012

O ABSENTEÍSMO VISTO POR OUTRO ÂNGULO



                                                                                                                                   Isac Jorge Filho *

          É queixa comum por parte de chefias de empresas privadas ou de repartições públicas a ausência de funcionários em horários de trabalho por diferentes razões, inclusive consultas ou tratamentos médicos e odontológicos. Por outro lado torna-se cada vez mais freqüente um outro tipo de absenteísmo: o do paciente que marca consulta ou tratamento e, sem dar menor satisfação, simplesmente não aparece.

          Trata-se de desrespeito que quebra, já de início, uma futura relação médico-paciente, importante pilar para bons resultados nos tratamentos. No Cremesp temos recebido um número cada vez maior de queixas desse tipo. Não há o que possamos fazer: o Cremesp é uma Autarquia Federal voltada para a fiscalização dos médicos e não dos pacientes. No entanto, alguns colegas tem colocado em suas denúncias a seguinte pergunta: “Quando um paciente que não conheço já falta à primeira consulta sem justificativas tenho direito de orientar a secretaria do consultório para não marcar se este paciente tentar marcar novamente?”. A resposta não é fácil, mas esse direito está bem claro no Código de Ética Médica em vigor, que diz, no inciso VII do Capítulo I (Princípio Fundamentais): “O médico exercerá sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência ou a quem não deseje, excetuadas as situações de ausência de outro médico, em caso de urgência ou emergência, ou quando sua recusa possa trazer danos à saúde do paciente”.

          Penso que algo está muito errado na relação entre profissionais de saúde e setores da população quando se chega ao ponto de pensar em não atender um paciente, mesmo preenchidas as condições citadas acima (não é urgência nem emergência, existem outros médicos e o não atendimento naquela ocasião não trará danos à saúde). É um fenômeno que merece amplo estudo especializado. No entanto, não é fácil aceitar que o paciente não entenda que, ao marcar uma consulta, está assumindo um compromisso com o médico ou dentista e ocupando um horário que poderia ser utilizado por outro. Faltar a esse compromisso sem justificativas é ato de desconsideração e desrespeito. Uma boa relação médico-paciente não se inicia assim e talvez seja bom, para as duas partes, nem começar.

          É claro que existem situações excepcionais que justificam a ausência do paciente, mas, na grande maioria das vezes, um simples telefonema, transferindo ou cancelando a consulta, evitaria o problema e demonstraria o respeito mútuo que deve prevalecer em uma boa relação entre pessoas.

• * Isac Jorge Filho é Médico, Conselheiro e Ex-Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

29 dezembro 2011

NOVOS TEMPOS, COM SONHOS E MUDANÇAS



JOSÉ ANÉZIO PALAVERI
Médico (Pirassununga)
Membro da APLACE.



“Um novo céu e uma nova terra..., não haverá mais crianças que vivam alguns dias apenas, nem velhos que não cheguem a completar seus dias...” Isaías 65,20. Feliz 2012. As previsões não são de céu de brigadeiro. Os catastrofistas anunciam nuvens e trovoadas, os que puseram sua fé somente no Papai Noel ainda têm tempo para caírem na realidade, fazerem seus planos, criarem coragem de tomarem atitudes que possam propiciar novos rumos, com novos compromissos e mostrarem que a realidade poderá ser diferente dependendo de seu empenho, de esperanças transformadas em atos e ações diferentes de um comportamento costumeiro de passividade e dependência.

Novos tempos são construídos, com empenho, dedicação, suor, mãos na massa, planejamento, metas, relacionamentos saudáveis, descruzando os braços. Mesmo assim a cruz poderá ser muito pesada se as cargas não forem partilhadas, se a solidariedade não se manifestar, se nenhum cirineu surgir durante a caminhada.

Um tempo diferente, escolhas diferentes, difíceis, certas, no lugar das fáceis, tentadoras, erradas, superficiais, sem compromissos.

Iluminar a dura rotina e a sequência do cotidiano com novas luzes, novos ares. Descobrir a presença da Eternidade que irrompeu em nossa história, e permanece no coração do tempo, de nossas vidas.

Descobrir o valor do momento que foge. Não viver na distração, a única vida concreta acontece no aqui, no agora, no momento presente, não viver na saudade e nem se afogar na preocupação.

Vida curta, as preocupações atrapalham, as ocupações, metem medo, desviam as rotas. Cada momento esconde sua pérola e é muito excitante quando a descobrimos ou fazemos investimentos para possuí-la.

Quantos minutos disponíveis! Já pensou nas revoluções que podem, acontecer num minuto? Uma resolução, um sim consciente, uma decisão refletida, um rompimento de relações, o desperdício de coisas construídas durante anos, uma ofensa, uma separação. Os momentos decisivos e descuidados podem ter sido e significado as melhores oportunidades desperdiçadas.

Desejar, traçar metas, realizar as ações necessárias para que as coisas aconteçam, mesmo com desgaste, sem desperdícios de energias.

Ser protagonista e ser coadjuvante, que o espetáculo da vida não acontece sem todos os seus personagens, não dá para sempre dar a última palavra, ser o astro principal.

Recebemos apoio em nossos planos e apoiamos quem caminha conosco. O mundo é muito pesado para ser carregado sozinho.

Olhar para o lado e ver o parceiro, olhar para trás e reconhecer o necessitado de solidariedade, não desconfiar dele, olhar para frente e reconhecer exemplos a imitar, caminhos a trilhar.

Cada coisa no seu tempo e há um tempo certo para cada coisa. “ tempo para nascer, para plantar, para curar, para construir, para chorar , para bailar, para recolher as pedras, para rasgar, para calar, para falar, para construir a paz...” Sem pressa, vamos sonhando e construindo os novos tempos.











palaveri@terra.com.br



















26 dezembro 2011

AS OPORTUNIDADES PARA 2012

O ANO NOVO

                                                                                            Isac Jorge Filho

            Já se foi mais um ano. Temos um a menos para viver nossas realizações.


            É tempo de análises e agradecimentos.


            É tempo de balanço.


            Certamente a simples mudança de um ano para outro não tem nenhum poder   especial,       não  há mágica nisso.


           A "mágica" está em que cada um de nós possa entender a passagem como renovação ou como busca de novas oportunidades.


           Para 2012 peço que Deus dê a todos nós a oportunidade :


                    • DE FAZER O QUE JÁ DEVIA TER FEITO;

                    • DE SENTIR O QUE JÁ DEVIA TER SENTIDO;

                    • DE PERDOAR O QUE JÁ DEVIA TER SIDO PERDOADO;

                    • DE PEDIR O PERDÃO QUE JÁ DEVIA TER SIDO PEDIDO;

                    • DE DOAR O QUE JÁ DEVIA TER SIDO DOADO;

                    • DE SE INDIGNAR CONTRA AS INDIGNIDADES;

                    • DE TER A CORAGEM DE DIZER NÃO, MAS TAMBÉM TER A CORAGEM DE DIZER SIM;

                   • DE TER A CAPACIDADE DE AMAR PROFUNDAMENTE, SEM VERGONHA DE DIZER;

                   • DE SER AMIGO DE NOSSOS AMIGOS;

                   • DE TER A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE HUMANA;

                   • DE NÃO NOS CURVAR ANTE OS PODEROSOS, MAS TAMBÉM DE LUTAR PARA QUE NINGUÉM TENHA QUE SE CURVAR DIANTE DE NÓS.

                  • DE SABER GRITAR, NA HORA CERTA, UM SONORO NÃO PARA A MENTIRA, PARA A TRAIÇÃO E PARA A DEMAGOGIA.



                               É a luta para agarrar essas oportunidades e cumprir seus objetivos que dá sentido ao Ano Novo, que é a renovação de nossas esperanças.








28 setembro 2011

OS ABSURDOS COMBOIOS DAS ESTRADAS

ISAC JORGE FILHO


Quando vi o primeiro, imaginei que ali estivesse uma coisa improvisada e temporária, para resolver alguma emergência. E era “apenas” uma carroceria dupla. Ainda assim, ocupava grande espaço, dificultando o trânsito e oferecendo perigo aos demais veículos. Depois vieram os conjuntos de três “vagões”. Ficaram tão comuns que receberam nome próprio: “treminhões”. No ritmo em que a coisa anda, logo teremos verdadeiros comboios nas estradas. Que se danem os demais usuários de nossas vias rodoviárias de comunicações! Tudo pela economia! Tudo pelo lucro!

O número de acidentes nas estradas é enorme. Vidas sacrificadas, incapacitações definitivas ou temporárias, constituem o saldo negro desses acidentes. Todas as medidas que possibilitem maior segurança são válidas e indispensáveis. Está aí um “novo” código de trânsito, lançado com pompa e intensa divulgação. No entanto, temos transitado por estradas da região e continuamos convivendo perigosamente com “treminhões”. O número de acidentes teoricamente deverá ser mais alto que o que ocorre com caminhões de carroceria simples. Basta pensar na dificuldade para as ultrapassagens. Recentemente um jovem médico perdeu a vida em acidente envolvendo um desses veículos. Há menos de um mês a mídia divulgou outro acidente fatal.

Que benefícios trazem os “treminhões”? As estradas não foram feitas para suportarem tais tipos de veículos. O número de empregos cai, na medida em que três caminhões são substituídos por um único. O perigo aumenta para todos os usuários de estradas onde existem tais veículos. Assim, os únicos benefícios são de ordem econômica, e assim mesmo para poucas pessoas. Será que isto é justo? Será que vale a pena?

Há um aspecto de ironia política e econômica nessas constatações. A partir da segunda metade do século passado o transporte ferroviário foi praticamente dizimado para dar lugar ao rodoviário. Tudo passou a girar em torno da indústria automobilística e do petróleo, incluindo o transporte de carga. E vinha em total contra-mão da história. Todos os países desenvolvidos, principalmente os territorialmente grandes, usaram e usam amplamente a via férrea. Aqui, sabe-se lá por que tipo de acordo, o transporte ferroviário foi sucateado. Perde a economia do país e a segurança nos transportes. Na verdade não se trata de uma disputa por espaço entre via ferroviária e via rodoviária. Podem conviver muito bem. Recentemente pude constatar em um passeio de barco pelo rio Meno, na Alemanha, que, enquanto desciam barcaças carregadas de mercadorias pelo rio, em uma das margens uma ferrovia permitia passagem de grandes comboios e na outra margem, por uma rodovia, passavam carros e caminhões. Era a mostra clara da possibilidade de co-existência entre os três tipos de transporte. O interessante é que o menor movimento era o rodoviário.

Voltemos aos treminhões: parece que querem substituir os comboios ferroviários por comboios rodoviários. O custo desse absurdo será pago com vidas e com muito prejuízo financeiro. Não se corrige um erro com outro.

A propósito, vale lembrar os últimos processos eleitorais: salvo algumas poucas manifestações pontuais e superficiais não tomei conhecimento de nenhum projeto consistente e profundo de retomada do transporte ferroviário no País ou nos Estados. Até o “trem-bala”, tão noticiado, e que não representa a retomada da via ferroviária no País, já deixou de freqüentar a mídia.

O que se reserva para o futuro na área do transporte? Nossas ruas e estradas já não suportam mais a sobrecarga de veículos. Tememos que o próximo passo nessa "evolução" seja dado com comboios ainda maiores: os “tetraminhões”? Ou, quem sabe, “pentaminhões”?